Bön Garuda Brasil

O Bön Budismo no Brasil

Dzogchen

BÖN  DZOGCHEN

O Símbolo do Dzogchen é a Garuda, um pássaro mítico, Khyung ou Kading em tibetano, um antigo deus-sol, o pássaro celestial às vezes com face humana.

A exposição do Dzogchen é convencionalmente expressa em termos de Visão, Meditação e Ação. Um dos grandes mestres de Dzogchen neste século, Kyapje Dunjom Rimpoche, expressou a visão do Dzogchen da seguinte forma:

A primeira coisa é a visão Dzogchen que vê o que realmente é – a própria natureza da mente. Este é o estado natural de ser, onde a mente não faz nenhuma distinção ou julgamentos. Este estado de consciência é chamado rigpa. Rigpa é consciência desnuda e inteiramente aqui e agora. Nós não podemos expressar realmente esta consciência e não existe nada para comparar a fim de descrevê-la. Certamente não é o estado ordinário de confusão emocional e pensamentos contraditórios, mas nem é sua cessação nirvanica. Este estado não pode ser produzido ou desenvolvido, e por outro lado ele não pode ser parado ou extinto. Nós nunca podemos livrar-nos dele e nem podemos errar em relação a ele. É impossível dizer que nós existimos realmente neste momento mas nós não podemos dizer que nós não existimos. Sua experiência não é de infinidade, nem de qualquer coisa específica.’

‘Então, para ser breve, como a natureza da mente, a Grande Perfeição, rigpa, não pode ser estabelecida como qualquer coisa específica, estado, ou ação, ela tem a face original do vazio que é pura desde o início, totalmente penetrante e totalmente perspicaz. Como o brilho desobstruído do Vazio e a série total de experiências tanto confusas como transcendentes são como o sol e seus raios, o Vazio é positivamente experimentado como tudo e qualquer coisa e ele tem a natureza intrínseca da consciência não dual ciente do surgimento espontâneo universal da qualidade pura. Por essa razão o reconhecimento da presença do que é, como o estado natural primordial de ser, o Real “Self” dos Três Corpos de Buda, consciência intrínseca como a união de luminosidade e vazio, é chamada a visão da inconcebível Grande Perfeição.’

O CHAMANISMO  ORIGINAL DA TRADIÇÃO BÖN PO

DO  TIBET

OS  QUATRO  CAMINHOS  CAUSAIS

Por Tenzin Wangyal Rinpoche
Fundador do Lingmincha Institute e do Garuda Brasil entre muitos outros centros por todo o mundo ocidental.

O fundador do BÖN nativo foi o Buda TONPA  SHENRAB  MIWOCHE, aquele que seja um seguidor dos seus ensinamentos é chamado de BONPO. Um termo antigo utilizado para referir a um Mestre praticante dos ensinamentos de TONPA  SHENRAB  MIWOCHE é SHEN. Os BÖNPOS classificam os ensinamentos espirituais e as práticas que    TONPA  SHENRAB expôs, em nove maneiras ou veículos. Estão divididos em quatro causas e cinco vias resultantes.
O Chamanismo tibetano encontra-se nas primeiras quatro vias causais. Os Chamãs Tibetanos possuem uma visão muito terrena e dualística em relação à vida, curam as perturbações e enfermidades desta vida sem se preocupar pela próxima vida.Apesar de que sua motivação seja altruística, aliviar aos que estão sofrendo, lhes falta a compaixão universal que se nos encontra demais caminhos resultantes. É a ausência do cultivo da compaixão por todos os seres, a ausência de aspiração para compreender a Budeidade, como a ausência de aspiração pela prática, a maior diferença entre a via das causas e as vias resultantes.

Estas quatro vias causais dos Chamãs Tibetanos nativos, se chamam:

CHASHEN (a maneira do SHEN de PREDIÇÃO)

TRULSHEN (a maneira do SHEN da ILUSÃO MÁGICA)

SISHEN (a maneira do SHEN da EXISTÊNCIA)

CHASHEN, a primeira maneira, se refere ao diagnóstico médico e cura, como também as diversas antigas adivinhações, aos rituais astrológicos realizados pelo chama para determinar se a pessoa que necessita ser curada possui um desequilíbrio energético, ou se a doença está sendo provocada por um espírito demoníaco, ou  influência de energia negativa. Na atualidade estes rituais são amplamente praticados nas comunidades de Tibetanos.

NANGSHEN, a segunda maneira, se refere os vários rituais de purificação, de invocar energia e reforçar a prosperidade, suprimir e liberar forças negativas, e invocar e fazer oferendas para deidades poderosas e pagar resgates aos espíritos demoníacos. Estas práticas estão muito estendidas no Tibet e são muito comuns. As famílias fazem pequenas práticas, enquanto que grandes práticas normalmente são feitas coletivamente nas vilas e nos mosteiros. Nos rituais de resgate, se prepara uma figura que representa o beneficiário do ritual, ou o praticante chamã que está realizando-o. Lembro-me quando minha mãe esteve doente durante muito tempo, tentamos curar-la por meio de diferentes tratamentos médicos, mas de nada resultou. Realizamos vários rituais menores, que também não deram resultados. Finalmente convidamos alguns monges chamãs que realizaram um ritual de grande resgate, no qual eles prepararam uma figura grande dela (geralmente as figuras são feitas do tamanho real), nós a vestimos com suas roupas, para que ficasse muito parecida a ela. Realizamos o ritual e oferecemos a figura em seu lugar para reembolsar a dívida kármica aos espíritos. A ela demos um novo nome, Yeshe Lhamo, em lugar de seu velho nome, Drölma, fazendo referencia a um novo nascimento no mundo, ela se recuperou de sua enfermidade. Em outro ritual, o beneficiário lança dados brancos em uma tela branca e aposta contra uma pessoa de sinal oposto (segundo a astrologia tibetana), que deve lançar dados negros em uma tela negra. Quando o beneficiário ganha significa que o ritual teve êxito.

TRULSHEN, a terceira maneira, os chamãs vão aonde há energia forte, selvagem, ali realizam práticas para conquistar os espíritos e demônios que habitam em esses lugares e lhes subjuga a seu serviço. Isto é conquistado através do mantra da prática (palavras de poder mágico), mudras (gestos simbólicos com a mão para comunicar-se com deuses e espíritos), e samadhi (meditação), enquanto realizam sadhanas (práticas litúrgicas) para comprometer várias deusas coléricas como Walmo e Chenmo. O objetivo destas práticas coléricas que são dirigidas contra os inimigos dos ensinamentos é proteger os praticantes e os ensinamentos contra perigos e ameaças. É muito importante realizar estas ações com uma atitude de amor e compaixão para com os outros seres, e não se deve realizar-se somente para o benefício do chamã.

SISHEN, a quarta maneira, é trabalhar com a alma de vida e morte.
Uma das maneiras principais de reforçar a força vital é através da recitação de mantras da deidade de longa vida. Os textos dizem que através do poder, o chamã invoca a força vital desde ali onde ela tenha se desviado. No caso de que esteja terminado, ele a prolonga; em caso de que tenha declinado, ele a reforça, se está rasgada ele a costura; se estiver desunida, ele a ata. A recuperação da alma em Lalu é realizada de maneira parecida: o chamãtorma (oferenda) representando a união dos cinco prazeres dos sentidos, lhe satisfaz completamente com os objetos visualizados, lhe exorta para que  devolva imediatamente a alma que havia pegado.
Também existe uma conexão forte entre a prática de recuperação da alma e o popular Lungta (bandeira de orações), que se realiza para reforçar a fortuna e a capacidade. Este é um ritual muito poderoso realizado por grandes grupos de tibetanos, no alto das montanhas, ou no terceiro dia do ano novo. Os participantes nada mais despertarem invocam os espíritos da montanha através de oferendas de fumaça que tocam as bandeiras estendidas de cinco cores, tirando cartas de cinco cores com mantras, com o propósito de reforçar o prana (força vital) que é o apoio de La (a pessoa como um todo se manifestando), conseqüentemente a capacidade dos participantes, sua fortuna e o aumento da prosperidade, como qualquer atividade que empreendam, terá êxito. convoca o espírito que a tenha roubado, ou ao que a perturbe (a alma da pessoa), e lhe oferece uma

ASSOCIAÇÃO  BRASILEIRA  DE  CULTURA  TIBETANA

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DZOGCHEN

DANG –  ROLPA – TSAL  da Mente Natural

Os ensinamentos Dzogchen explicam a natureza de Rigpa subdividindo-a em três aspectos:

  1. DANG, vinculado ao que transcende as características tanto do objeto como do sujeito;

  2. ROLPA que se caracteriza pela polaridade do sujeito;

  3. TSAL, referente àquilo que constitui a dimensão do objeto.

Para explicar estes três aspectos de Rigpa, utiliza-se, tradicionalmente, o símbolo do cristal.

DANG

O aspecto Dang carece de forma, cor e materialidade, está além da dualidade sujeito e objeto, e constitui o componente último irredutível de todas as nossas experiências externas e internas. Dang é o aspecto fundamental, infinito e não-condicionado.  Assim, o Dharmakaya seria a captação ou a revelação da verdadeira condição de Dang presente, em todo momento, na nossa consciência.

Aplicando a simbologia do cristal, apesar dele ser capaz de refletir qualquer objeto, jamais perde a sua natureza pura e transparente. Assim, embora o cristal não possua cor, quando posicionado próximo a um tecido vermelho, parece adquirir a cor vermelha, etc… Da mesma forma, no nível de Dang, a energia é essencialmente infinita e como conseqüência, é capaz de adotar qualquer forma.

Este exemplo nos ajuda a esclarecer o conceito de visão cármica impura, porque a energia individual não possui essencialmente forma, mas, como resultado do apego, as tendências cármicas que existem latentes no contínuo da consciência, dão nascimento àquilo que se percebe como corpo, palavra e mente, e como o entorno externo, cujas características estão determinadas pelas causas acumuladas durante incontáveis vidas. Dentro da ilusão da dualidade, o individuo é assim condicionado pelas visões cármicas que parecem ser tudo o que o indivíduo é.

ROLPA

O aspecto Rolpa da energia, não possui materialidade, mas, possui forma e cor. Constitui o componente essencial das visões que se manifestam nos estados especiais de consciência dos yoguis e que desafiam os limites habituais de nossa percepção ordinária. Rolpa são os fenômenos que parecem manifestar-se como se estivessem no exterior do sujeito ou da mente, mas que – na verdade – emanam de seu interior.

Rolpa é o fundamento de todos os métodos meditativos de transformação, as visualizações tântricas são manipulações de Rolpa. O exemplo mais claro da manifestação subjetiva da energia do estado primordial, observa-se durante o período da existência intermediária (entre-vidas ou bardo), quando surgem,  diante do morto, as deidades meditativas visualizadas durante a prática tântrica, realizada em vida. Estas deidades são as manifestações das qualidades naturais ou espontâneas do estado primordial. Aqueles que não foram iniciados e não as praticaram, nesta fase do bardo somente percebem sons, ráios e luzes.

Rolpa é a exteriorização do interno, da dimensão subjetiva, da projeção do jogo da mente.

A bola de cristal é utilizada para ilustrar a maneira como a energia do individuo se manifesta. Quando se coloca um objeto em frente a uma bola de cristal, pode-se ver a sua imagem dentro da bola, como se o objeto realmente estivesse lá. Da mesma forma, a energia do indivíduo pode parecer como uma imagem experimentada internamente, como vista pelo olho da mente. Não importa o quão viva pareça ser esta imagem, sempre se tratará da manifestação da própria energia  individual que chamamos Rolpa.

Este é o nível no qual o praticante da transformação trabalha para mudar a visão impura em outra pura através do poder da concentração. Um ser realizado experimenta esta dimensão da energia como o Sambhogakaya, ou o corpo de glória. Glória se refere, neste contexto, à fantástica multiplicidade de formas que pode se manifestar nesta dimensão, o âmbito da essência dos elementos, da luz.

TSAL

A forma Tsal da energia está dotada das qualidades de forma, cor e materialidade, constituindo o aspecto de Rigpa que se manifesta como objetos externos.

Assim, o cristal – ao ser atravessado por um ráio de luz – se decompõe em diferentes cores. Apesar das cores não serem inerentes nem ao cristal, nem ao ráio de luz, elas surgem, ao se reunirem as condições adequadas. Do mesmo modo, os objetos  que nos parecem dotados de uma realidade externa objetiva são frações da luminosidade do estado primordial de Rigpa. Decompor a luz em seu espectro de cores, constitui, portanto, parte da natureza do cristal.

Quando se reconhece que todos os fenômenos que são percebidos como algo externo, constituem a projeção do estado primordial, é possível reintegrá-los em sua verdadeira condição. Se, ao contrário, são percebidos como algo existente, sólido e independente, põe-se em movimento a roda da existência condicionada. O espectro em que se decompõe a luz, simboliza as diferentes manifestações puras (quando estas são reconhecidas como projeções do estado original) e impuras (quando são consideradas algo sólido).

As cores não são inerentes ao cristal, mas se manifestam quando surgem as causas secundárias adequadas. Neste sentido, tanto samsara como nirvana são manifestações da luminosidade do estado primordial e todas as percepções são projeções deste estado.

Temos que reintegrar o projetado, isto é, a visão cármica dualística que se manifesta através da forma de energia Tsal, ou, simbolicamente falando, as cores que emanam do cristal. Temos que reintegrá-lo à sua origem (o estado primordial), ou seja, reintegrar as cores emanadas do cristal ao seu ponto de origem, o próprio cristal.

É assim que a energia primordial do indivíduo constrói a aparência do mundo. Uma pessoa, acorrentada à visão dualística, sente que possui uma identidade definida e delimitada, separada do mundo externo que está aí fora e que não tem nada a ver com ela. O fato de desconhecer que são as projeções de seus próprios sentidos, que criam a aparência dos objetos separados, reforça ainda mais o seu erro.

Assim como os ráios de sol se refletem, ao incidirem sobre o cristal, originando a aparência de ráios de várias cores, aparentemente independentes, separados do cristal, mas que, na realidade, são funções da sua própria natureza, da mesma forma, é a própria energia individual, que se manifesta através de projeções de sua mente, que é percebida pelos sentidos do sujeito como sendo um mundo de existência real, constituído por fenômenos externos.

Na realidade, não existe nada externo ou separado do sujeito, e a fundamental unidade daquilo que é constitui precisamente, a experiência Dzogchen, a grande perfeição. Para um ser realizado, este nível da energia manifestada como Tsal é a dimensão do Nirmanakaya, o corpo de manifestação.                                                                                                        Assim, quando falamos dos três kayas ou corpos, não nos referimos somente aos três corpos de um Buda ou aos três níveis de um Yidam, mas também às três dimensões da energia individual tal como se experimenta na realização.                                                                                              Em resumo, tanto o espelho como o cristal nos servem de metáfora para explicar a relação entre os reflexos (as aparências externas e internas) e o espelho (a mente) e, através de tal relação, esclarecer o processo de surgimento e posterior reintegração das aparências na base primordial da verdadeira natureza da mente.                                                                                       O objetivo das práticas mais avançadas de Dzogchen é conquistar a reintegração da energia Dang com os fenômenos da energia Rolpa e finalmente, com os da energia Tsal. Esta capacidade de reintegrar as três energias se desenvolve através do conjunto de exercícios propostos nas 3 séries de Práticas Dzogchen.

Na série da Mente –  afirma-se que todos os fenômenos são o poder do jogo do estado primordial de Rigpa (Rolpa e Tsal). Neste caso, trata-se de perceber que, além dos dos reflexos projetados, existe também o espelho e que os reflexos não são algo sólido e independente do espelho.

Na série do Espaço – afirma-se que os fenômenos são o adorno-atributo do dharmata (a esfera última). Aqui o reflexo compartilha  da natureza do espelho. Assim  reflexos/objetos compartilham da natureza do espelho/mente e são igualmente claros e luminosos. Pelo fato de não percebermos os objetos como reflexos da nossa mente é que eles nos parecem objetos sólidos.

Na série da Instrução Secreta, trata-se de integrar os reflexos na claridade do cristal. Quando se esgotam todas as experiências, tanto o espelho como os reflexos se consomem em luz.

As três modalidades de energia são inseparáveis. A energia infinita sem forma, Dang, se manifesta, no nível da essência luminosa dos elementos puros, como formas imateriais Rolpa, mas também, como objetos materiais aparentemente sólidos, Tsal.


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