Bön Garuda Brasil

O Bön Budismo no Brasil

BÖN BUDISMO

Religião  Bon


A religião original do Tibete é chamada Bon. É uma religião animista. Com a introdução do budismo no século VII, iniciou-se uma longa luta pela supremacia religiosa, luta esta que acabou sendo ganha pelo budismo, mas não sem que este recebesse marcada influência do Bon. A prática da consulta de oráculos, por exemplo, seguida até pelos Dalai Lamas, é um dos exemplos de influência Bon. Viajando pelo Tibete você vai notar que em vários pontos da estrada há montes de pedras com bandeiras com inscrições religiosas, chamadas Manis. Aí está outro exemplo desta religião animista.




A  TRADIÇÃO  BON  TIBETANA

A tradição espiritual mais antiga do Tibet é a Bön. De acordo com as explicações Bönpo,  Tönpa Shenrab, o fundador da religião Bön, é o mestre iluminado desta era. Ele disse que nasceu na terra mística de Olmo Lung Ring, cuja localidade permanece ainda um mistério. A terra é tradicionalmente descrita como dominada pelo Monte Yung-drung Gu-tzeg (Edifício das Nove Swastikas), que muitos identificam como o Monte Kailash a oeste do Tibet. Devido à sacralidade de Olmo Lung Ring e da montanha, tanto a swastika de sentido anti-horário quanto o número nove são de grande significado na religião Bön.

Acredita-se que Tönpa Shenrab primeiro estudou a doutrina Bön no céu, no final do qual ele rogou aos pés do deus da compaixão, Shenla Okar, para guiar o povo deste mundo. Conseqüentemente, com a idade de trinta e um anos ele renunciou ao mundo e tomou uma vida de austeridades, disseminando a doutrina para ajudar os seres imersos em um oceano de miséria e sofrimento. Neste esforço de espalhar a doutrina, ele chegou ao Tibet, na região do Monte Kailash, que é conhecido como a terra de Zhang Zhung, historicamente o assento principal de cultura e doutrina Bön. Registros sobre a vida de Tönpa Shenrab podem ser encontrados nas três principais fontes; mDo-‘dus, gZer-migand gZi-brjid. As duas primeiras são tidas como textos Tesouros (gTer-ma) descobertos, de acordo com a história Bön, no século X ou XI. O terceiro pertence à llinhagem do sussurro (sNyan-brgyud) transmitida entre os adeptos.

As doutrinas ensinadas por Tonpa Shenrab são geralmente classificadas em dois tipos; primeiro, Os Quatros Portais e Um Cofre (sGo-bzhi mDzod-lizga), onde as quatro primeiras são: a doutrina Água Branca(Chabdkar) que lida com assuntos esotéricos; a doutrina Água Negra (Chab-nag) que lida com narrativas, magia, ritos funerais e ritos de resgate; a doutrina da Terra de Phan (‘Phanyul) que contém as regras monásticas e exposições filosóficas; a doutrina do Mentor Divino (dPon-gasa) contendo exclusivamente os ensinamentos da grande perfeição; e finalmente, o Cofre (mTho-thog) que engloba os aspectos essenciais de todos os quatro portais.

A segunda classificação, os Nove Caminhos do Bön (Bön theg-pa rim-dgu) é a seguinte: o Caminho da Predição (Phyva-gshen Theg-pa), que descreve sortilégio, astrologia, titual e prognóstico; o Caminho do Mundo Visual (sNang-shen theg-pa), que explica o universo psicofísico; o Caminho da Ilusão (‘Phrul-gshen theg-pa), que dá detalhes de ritos para se dispersar forças adversas; o Caminho da Existência (Srid-gshen theg-pa), que explica os rituais de funeral e morte; o Caminho de um Seguidor de um Programa (dGe-bsnyen theg-pa), que contém os dez princípios para uma atividade beneficiente; o Caminho de um Monge (Drnag-srnng theg-pa), no qual as regras e regulamentações monásticas são colocadas; o Caminho do Som Primordial (Adkar theg-pa), que explica a integração de um praticante exaltado numa mandala de iluminação superior; o Caminho do Shen Primordial (Ye-gshen theg-pa), que explica as guias mestras para a procura de um verdadeiro mestre tantrico, e, finalmente, o Caminho de Suprema Doutrina (Bla-med theg-pa), que discute somente a doutrina da grande perfeição.

Os Nove Caminhos foram depois sintetizados em três: os primeiros quatro constituíram os Caminhos Causais (rGyui-theg-pa), os quatro subseqüentes formaram os Caminhos Resultantes (‘Brns-bu’i-theg-pa) e o nono se tornou o Caminho Insuperável ou o Caminho da Grande Completude (Khyad-par chen-po’i-theg-pa or rDzogs-chen). Tudo isto é encontrado no cânone Bön compilados em mais de 200 volumes classificados em quatro sessões: os sutras (mDa), a perfeição dos ensinamnetos de sabedoria (‘Bum), os tantras (rGyud) e o conhecimento (mDzod). Além deles, o cânone lida com outros assuntos tais como os rituais, artes e trabalhos manuais, lógica, medicina, poesia e narativas. É interessante notar que na sessão do Conhecimento (mDzod) concernente à cosmologia e cosmogonia é bem particular do Bön, apesar de haver especulações acadêmicas de que exista uma forte afinidade com certas doutrinas Nyingma.

A história nos mostra que com o aumento do patrocínio real ao Budismo, a doutrina Bön foi desencorajada, e foi também perseguida e banida. Praticamente nada se sabe a respeito do Bön no período que vai do século VIII ao século XI. Entretanto, com a implacável devoção e esforço de verdadeiros seguidores como  Drenpa Namkha (século IX), Shenchen Kunga (século X) e muitos outros, a doutrina Bön, a religião indígena de Tibet, foi resgatada do obscurantismo e re-estabelecida ao lado do Budismo no Tibet.

Desde o século XI, com o estabelecimento de mosteiros como Yeru Ensakha, Kyikhar Rishing, Zangri e os últimos Menri eYungdrung Ling no Tibet Central; e Nangleg Gon, Khyunglung Ngulkar e outros, mais de trezentos mosteiros Bön foram estabelecidos no Tibet antes da ocupação Chinesa. Destes, os mosteiros de Menri eYungdrung foram as principais universidades para o estudo e prática da doutrina Bön. Uma nova avaliação do Bön ocorreu no século XIX sob a assistência de Sharza Tashi Gyeltsen, cuja obra escrita compreendia em dezoito volumes que deram à tradição Bön um novo impulso. Seu seguidor Kagya Khyungtrul Jigmey Namkha treinou muitos discípulos não só na religião Bön, mas em todas as ciências Tibetanas. Entretanto, com a invasão Chinesa noTibet, como as outras tradições espirituais, o Bönismo também sofreu irreparáveis perdas.

Pelos eforços do Abade Lungtok Tenpai Gyeltsen Rinpoche, do Venerável Sangyey Tenzin e outros poucos monges mais velhos, uma pequena parte da comunidade Bön se re-estabeleceu com sucesso no mosteiro de Tashi Menri Ling em Dolanji nas colinas perto de Solan em Himachal Pradesh, India, com o aval de Sua Santidade o Dalai Lama e do Conselho para Assuntos Religiosos e Culturais. Por algum tempo este mosteiro foi o único centro importante onde os monges mais jovens podiam receber um treinamento completo dentro da filosofia Bön, mais disciplinas monásticas, e rituais e danças religiosas. Completados ainda com estudo de gramática, medicina, astrologia e poesia, os monges são ainda orientados com uma educação moderna.

Ao se concluir com sucesso o curso completo de estudos, que é acessado tanto por meios de exames escritos quanto dialéticos, um monge conquista o Grau Geshey (Doutorado em Bönismo). Este passa então a servir sua comunidade através de ensinamentos, de escritos e assim por diante.

Além do Mingye Yungdrungling existe também o Tashi Thaten Ling e outros quatorze mosteiros Bön  na Índia e Nepal. Eforços têm sido feito para se estabelecer um Instituto Internacional do Bön no Nepal para fortalecer as atividades religiosas Bön e para apresentar sua doutrina para o resto do mundo.

Atualmente o Bonismo, apesar de ter perdido sua posição proeminente, possui muitos seguidores em muitas tribos Tibetanas e em algumas áreas isoladas. Os rituais e as crenças do Bonismo formam uma parte integral da cultura Tibetana. A tradição Bön tem recebido apoio de Sua Santidade o Dalai Lama, que recentemente fêz uma visita de dois dias à Dolanji, onde ficou impressionado pelo grau de conquistas educacionais. Além disto ele fêz uma declaração em 1988 na Conferência Tulku em Sarnath onde enfatizava a importância de se preservar a tradição Bön, como representante das fontes indígenas da cultura Tibetana, e  reconhecendo o papel importante que teve na construção da identidade única do Tibet.

A RELIGIÃO BON

A religião Bon é uma seita de xamanismo anímico, um culto panteísta cuja crença é de que todos os sêres vivos possuem alma. Ela prevalecia no Tibet antes da introdução do Budismo no séc. VII. Depois disto o Budismo Tibetano absorveu algumas crenças e rituais do Bonismo, cmo a dependencia no oráculo, astrologia e panteísmo. Por exemplo, as seleções dos Tulkus (reencarnações) começava com um oráclo, astrologia, observações de visões em lagos sagrados, e algumas vezes os serviços de um oráculo-monje eram requisitados. Por outro lado o Bonismo foi modificado para o modelo Budista para se tornar um ramo do Budismo Tibetano, a seita preta.

CULTURA  TIBETANA

A Morte: O cuidado com os mortos também tem suas peculiaridades. No Tibete existem cinco tipos de funerais. Somente os marginais e criminosos são sepultados da maneira que é usual no Ocidente. Acredita-se que a terra sobre o corpo impede o desenvolvimento da alma e a reencarnação torna-se impossível. A cremação é o método mais usado. Mas é um ritual caro; não existe muita matéria-prima combustível apropriada [para cremações] no Tibete. Deste modo, sem opção, os mortos dos pobres são atirados ao rio. Curiosamente, os santos mais venerados do Tibete não foram cremados nem jogados na correnteza; foram emparedados no interior dos templos e tumbas especiais são [verticais, supomos] elaboradas em sua honra.

O funeral mais comum é o Funeral Celestial. O corpo é levado ao topo de uma montanha onde seus músculos e ossos são estraçalhados a golpes de pedra. Depois de completamente mutilado, esmigalhado, esquartejado, o defunto é deixado à mercê das águias e outros rapinantes. As autoridades já tentaram proibir este tipo de funeral mas a população insiste e o rito brutal continua sendo o mais praticado.

ASSOCIAÇÃO  BRASILEIRA  DE  CULTURA  TIBETANA

R u a E n g e n h e i r o R e b o u ç a s , 1 0 4 0

S ã o C a e t a n o d o S u l  – SÃO PAULO

T e l . 4 2 3 2 – 5 6 3 0

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